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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Mudras ou Hastas


Algumas postagens atrás me propus a falar de teoria em dança, particularmente na teoria do BN, da qual eu posso falar. Nossos primeiros passos nos guiaram através de conceitos gerais, como Nritta/Nrittya, abhinaya, adavus, etc. Paramos quando íamos falar dos mudras ou hastas, os gestos das mãos. Lembro que já em 1995, achei um livro chamado: Mudrás - As mãos como símbolo do Cosmos de Ingrid Ramm- Bonwitt. Naquele tempo eu sabia muito pouco, ou melhor, quase nada sobre dança clássica indiana. Este foi o livro no qual tive o meu primeiro contato. Lembro que lia e relia o livro tentando imaginar os movimentos, tentando imaginar a música e a dança. Logo no primeiro capítulo a autora já nos fala na dança, como sendo a origem das mudras, que ela chama de gestos místicos das mãos. "As mudras", nos diz, "estas posturas simbolicas dos dedos (...) podem representar plasticamente determinados estados ou processos da consciência. Mas as posturas determindas podem também, ao contrário, levar aos estados de consciência que simbolizam". Parece me que aqui, estamos tratando as mãos como um microcosmo, como se elas fossem a equivalência do corpo nas posturas do Yoga, trazendo assim, benefícios físicos, mentais e espirituais ao praticante.
 O Natyashastra, o livro clássico (a biblia) das artes dramáticas da India tem um capítulo inteirinho dedicado às mudras. Lá são divididos primeiramente em duas categorias:
Asamyuta Hastas (gestos com uma mão) que totalizam 28 gestos (sempre com algumas variações).
Samyuta Hastas (gestos com as duas mãos) que são 24. Posteriormente, ainda são descritas as combinações e ações possíveis, como Pataka Hasta Vinyogas, Tripataka Hasta Vinyogas e assim por diante. Vários dvds e alguns sites de dança hoje em dia, mostram a seqüência de gestos, e não apenas ilustram, mas ensinam a fazê-los.
Mas não só de dança vivem os mudras. Eles também são amplamente usados na iconografia, tanto hindu como budista, também no Yoga e em alguns rituais. Repare ao seu redor, os gestos simbolicos das mãos estão por toda parte.
Os mudras são muito poderosos, através deles o bailarino pode descrever todo o universo. Ele pode usa-los tanto pra falar de vitórias, quanto para falar de derrotas, assim também da alegria e da tristeza, do amor e da aversão, etc sem precisar de nada além de suas mãos (e sua expressão). É muito interessante pensar no uso das mãos para além do necessário no dia a dia. Elas podem dançar, e dizem mais, falam (como nos sugere Ingrid) a lingua dos Cosmos.
Namaskar!
 Alguns beneficios dos Mudras

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Primeiros Passos

Namaskar! Depois de um tempo sem tempo para continuar o blog, hoje vou falar um pouco da estrutura do BN. Uma das qualidades, aquela que mais nos chama a atenção em um primeiro momento, é a riqueza de detalhes. Mãos, olhos, cabeça, pescoço, sobrancelhas, tronco e pés, tudo dança. O corpo trabalha minuciosamente cada parte, sem deixar de formar um todo (não é à toa que muitos anos de estudo e prática ainda podem ser pouco...) mesmo quando estático, muitas vezes em poses da iconografia hindu, este corpo transborda significado. Pode-se recriar o universo sem precisar de um objeto sequer. Os gestos podem mais que as palavras, mais que um cenário. As possibilidades são ilimitadas. Como isso é possível? Não podemos responder a esta pergunta sem antes entender dois conceitos importantíssimos: Nritta e Nritya.
Nritta seria a parte rítmica, mais abstrata. Muitos dizem ser a dança pura. As sequências de Nritta em BN são compostas por unidades chamadas Adavus (falaremos deles em breve).
Nritya é a combinação da parte rítmica com o elemento teatral. Aqui idéias, emoções, conteúdo literário/poético são apresentados através de gestos e expressão facial.A este método de comunicação na dança chamamos de Abhinaya, um outro conceito indispensável. Segundo os tratados de dança são quatro tipos de abhinaya: Angika (expressão através de gestos e ações, usando os membros), Vaachika (expressão através das palavras, como uma poesia, letra da música), Aaharya (a maquiagem, a roupa, os ornamentos) e Saathvika (emoções e sentimentos).
Podemos, então, pensar numa análise combinatória de elementos. Gestos com as mãos (que são 2 e podem trabalhar juntas ou separadas) mais movimentos/ações, os olhos, expressão facial, as palavras, o ritmo...enfim, muitos elementos mesclando-se de diversas formas e a cada instante criando um novo significado. Falaremos a seguir nos dois elementos mais importantes nessa combinação: Mudras ou Hastas (gestos com as mãos) e Saathvika Abhinaya (a expressão dos sentimentos). Até breve! Namaskar!