Sentindo necessidade de um pouco mais de teoria (do que mais me ocupo ultimamente) estava lendo um livro chamado A Modern Introduction to Indian Aesthetic Theory, escrito por S.S Barlingay. Leitura que me instigou a pensar e a escrever sobre o "sabor"da arte ou seja sobre rasa. Vamos definir um ponto de partida pra discutir este conceito tão importante: partiremos do Natyashastra, já que rasa pode adquirir diferentes sentidos dependendo de onde ela está escrita. Bharatamuni traz rasa diretamente do Atharvaveda quando fala de encenação/teatro. Ele a emprega quando fala de "drama" (sentido da palavra em Inglês) como arte performática. Pensando no texto (no poeta ou escritor, primeiramente, e depois nos outros elementos) Bharata acredita que teatro (isso inclui a dança) é uma espécie de continuum temporal que começa na experiência/sentimento do poeta/autor e que acaba na experiência/sentimento causado nos espectadores. No caso da dança, o primeiro se dá através da música/letra. Chegamos aqui ao conceito de bhava, um conceito sem o qual não podemos prosseguir. É importante não confundir rasa com bhava. Simplificando (talvez até demais!) Rasa é a experiência estética enquanto que bhava é o sentimento resultante desta experiência. Isto é bastante confuso na literatura, algumas fontes afirmam exatamente o oposto!!! Enfim, acredito que o mais importante aqui, isso me foi dito por uma de minhas professoras, é entender que ambas são dois lados da mesma moeda: uma não existe sem a outra, uma causa a outra e não existem separadamente. Na verdade parece mais complicado do que é. Podemos dividi-las em 3 tipos:
dominantes/ permanentes (sthayi)
transitórias (sancari)
e oriundas da mente ou temperamentais (sattvaja)
e as famosas navarasa são:
Sringaram (amor)
Veeram (heroismo)
Karuna (tristeza/compaixão)
Adbhuta (maravilhamento)
Raudra (ira)
Hasya (humor ou comédia)
Bhayanaka (medo ou pavor)
Bibhatsa (nojo/aversão)
Shanta (paz)
Vale lembrar que cada rasa tem sua bhava correspondente:
Sringaram (amor) Rati
Veeram (heroismo) Utsaha
Karuna (tristeza/compaixão) Shoka
Adbhuta (maravilhamento) Vismaya
Raudra (ira) Krodh
Hasya (humor ou comédia) Hasa
Bhayanaka (medo ou pavor) Bhaya
Bibhatsa (nojo/aversão) Jugupsa
Shanta (paz) Calm
Espero te-los provocado a pensar sobre elementos tão importantes da dança clássica indiana.
Namastê e Ahimsa!
Este é um belo video para ilustrar cada uma das rasas.http://www.indiavideo.org/kerala/arts/performing-art-forms/kathakali/navarasa-405.php
As bhavas correspondentes e o video foram retirados daqui.
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sábado, 9 de outubro de 2010
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Festa temática Caminho das Indias
Ontem, aconteceu em Porto Alegre uma festa temática Visões do Oriente e Caminho das Indias.
Tive a oportunidade de me apresentar com uma coreografia no primeiro bloco e outra no segundo. Teve de tudo um pouco. Dança do Ventre, Tribal, Bollywood, Bharatanatyam e outras cositas. Fui a terceira a dançar em ambos os blocos, e senti as conseqüências disso. Me senti um mico leão dourado, isso que nem segui todo o protocolo de uma apresentação tradicional. Foi apenas algo para ilustrar, a taste of dança clássica. Optei por coreografias curtas, simples e mais alegres. Não teria a oportunidade de explicar o que estava dançando, então...sempre acho válido dar uma tradução da letra, explicar alguns gestos. Alguns poderiam dizer: "ah, mas arte não se explica" e eu até concordo, mas definitivamente no caso da dança clássica indiana, explicações enriquecem muito uma performance. E sinto que algumas pessoas saem pensando: é muito belo, mas gostaria de saber o que aqueles gestos e expressões faciais significam. Acabam apreciando somente pelo valor estético, e todo o conteúdo filosófico e espiritual se perde, justamente o mais importante. Pra mim, em primeiro vem o aprendizado, como quem conta uma história e aprende com ela, acredito que o(a) bailarino(a) enriquece sua vida interna e alimenta sua alma através do conteúdo dançado. A estética é importante, mas não o mais importante, não pra mim. Tanto é que insisto em dançar mesmo estando (ainda!) acima do meu peso. Acho sim, que minha performance seria melhor se tivesse alguns quilos a menos (qualquer gota de auto-estima nesta hora faz a diferença) mas sei que, na India, muitas artistas maravilhosas nem sempre tem corpo de miss, nem tão pouco estão na tenra idade. Então, novamente a cultura. As pessoas são mais respeitadas pelo que são, pela sua história de vida e seu conhecimento e não imediatamente pela aparência física. Não que na India não se dê importância a forma f'ísica, e se dá, acho que cada vez mais, mas lá muita gente ainda pensa no talento antes da beleza. Mas como um de meus gurus sempre diz: "É preciso um equilibrio, boa técnica, boa aparência e bom conteúdo". A mais pura verdade, a gente sempre tem que pensar que alguma coisa pode melhorar, nossa técnica, nossa aparência, nossa devoção. Achar que se está no topo, é pura ilusão.
Tive a oportunidade de me apresentar com uma coreografia no primeiro bloco e outra no segundo. Teve de tudo um pouco. Dança do Ventre, Tribal, Bollywood, Bharatanatyam e outras cositas. Fui a terceira a dançar em ambos os blocos, e senti as conseqüências disso. Me senti um mico leão dourado, isso que nem segui todo o protocolo de uma apresentação tradicional. Foi apenas algo para ilustrar, a taste of dança clássica. Optei por coreografias curtas, simples e mais alegres. Não teria a oportunidade de explicar o que estava dançando, então...sempre acho válido dar uma tradução da letra, explicar alguns gestos. Alguns poderiam dizer: "ah, mas arte não se explica" e eu até concordo, mas definitivamente no caso da dança clássica indiana, explicações enriquecem muito uma performance. E sinto que algumas pessoas saem pensando: é muito belo, mas gostaria de saber o que aqueles gestos e expressões faciais significam. Acabam apreciando somente pelo valor estético, e todo o conteúdo filosófico e espiritual se perde, justamente o mais importante. Pra mim, em primeiro vem o aprendizado, como quem conta uma história e aprende com ela, acredito que o(a) bailarino(a) enriquece sua vida interna e alimenta sua alma através do conteúdo dançado. A estética é importante, mas não o mais importante, não pra mim. Tanto é que insisto em dançar mesmo estando (ainda!) acima do meu peso. Acho sim, que minha performance seria melhor se tivesse alguns quilos a menos (qualquer gota de auto-estima nesta hora faz a diferença) mas sei que, na India, muitas artistas maravilhosas nem sempre tem corpo de miss, nem tão pouco estão na tenra idade. Então, novamente a cultura. As pessoas são mais respeitadas pelo que são, pela sua história de vida e seu conhecimento e não imediatamente pela aparência física. Não que na India não se dê importância a forma f'ísica, e se dá, acho que cada vez mais, mas lá muita gente ainda pensa no talento antes da beleza. Mas como um de meus gurus sempre diz: "É preciso um equilibrio, boa técnica, boa aparência e bom conteúdo". A mais pura verdade, a gente sempre tem que pensar que alguma coisa pode melhorar, nossa técnica, nossa aparência, nossa devoção. Achar que se está no topo, é pura ilusão.
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